Postagens

Vídeo poema - De Ontem em Diante

Imagem
De: Fernando Anitelli De ontem em diante serei o que sou no instante agora Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada  são coisas distintas Separadas pelo canto de um galo velho Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho Do versículo e da profecia Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia? Minha vida inteira é meu dia inteiro Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro! Minha mochila de lanches? É minha marmita requentada em banho Maria! Minha mamadeira de leite em pó É cerveja gelada na padaria Meu banho no tanque? É lavar carro com mangueira E se antes, bem antes, um pedaço de maçã Hoje quero a fruta inteira E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa Da luta não me retiro Me atiro do alto e que me atirem no peito Da luta não me retiro... Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras, das besteiras e das besteiras que fizemos ontem

POEMA - "Vida Madrasta"

Imagem
Sombras que me acompanha nessa vida madrasta Vil espectro que meus sonhos assombram Terrível solidão que meu peito apavora Quão triste é tal dor, quão amargo o sofrer Saudade infindável minha mente desola. Pesar mortificante que domina meus dias Que faz do sol uma fonte incessante de amargura Faz de minha vida minha desgraça, minha desventura Que estará ao meu lado como eterna companheira Essa solidão constante que exilou minha esperança. Grande maçada viver assim só Por isso desejo outra vida encontrar Sem saudade nenhuma dessa vida madrasta Partir só levando comigo a lembrança Do amor que perdi, mas que em mim ainda vive. CLAY REGAZZONI (direitos reservados ao autor)

SONETO XLIII - COMO TE AMO? - TRADUÇÃO DE MANUEL BANDEIRA

Imagem
Sonnets from the Portuguese, Sonnet XLIII  - How Do I Love Thee? ELIZABETH BARRETT BROWNING Amo-te quanto em largo, alto e profundo Minh’alma alcança quando, transportada, Sente, alongando os olhos deste mundo, Os fins do Ser, a Graça entressonhada. Amo-te em cada dia, hora e segundo: À luz do Sol, na noite sossegada. E é tão pura a paixão de que me inundo Quanto o pudor dos que não pedem nada. Amo-te com o doer das velhas penas; Com sorrisos, com lágrimas de prece, E a fé da minha infância, ingênua e forte. Amo-te até nas coisas mais pequenas. Por toda a vida. E, assim Deus o quiser, Ainda mais te amarei depois da morte.

Minas Enigma - Fernando Sabino

Imagem
Minas além do som, Minas Gerais  (Carlos Drummond de Andrade) Se sou mineiro? Bem, é conforme, dona. (Sei lá por que ela está perguntando?) Sou de Belzonte, uai. Tudo é conforme. Basta nascer em Minas para ser mineiro? Que diabo é ser mineiro, afinal? Inglês misturado com oriental? É fumar cigarro de palha, como o poeta Emílio, de Dores do Indaiá? Autran fuma cachimbo. Tem até quem fume cigarro americano. (No bairro do Calafate havia uma fábrica de "Camel".) Em suma: ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde pra colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que as pernas. Não amarrar cachorro com lingüiça. Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem nó. Mineiro não perde trem. Mas compra bonde. Compra. E vende pra paulista. Evém mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz par...

"NAVEGANTE SÓ"

Imagem
Pelo rio da vida navego só! Sou timoneiro em minha própria travessia. Meus olhos percorrem a vastidão dos dias. Observo as árvores que margeam meus sonhos. Suas folhas amarelecidas caem, Assoreando o leito de meus propósitos, Enquanto a correnteza segue acelerando o tempo. Navegando só, vejo paisagens inconstantes. Ora são belas, ora são tristes. Lanço-me nas águas turvas de minha existência. Deixo-me naufragar nesse curso de esperanças e incertezas. Vivo intensamente essa viagem, Buscando merecer um dia, Desaguar na sublime imensidão, Do mar da eternidade. CLAY REGAZZONI (Direitos reservados ao autor)

"BEM-AVENTURANÇAS"

Imagem
Bem-aventurado o "poeta solar" Que irradia e aquece a mente dos desesperados. Bem-aventurado o "poeta lunar" Que a cada fase traz-nos novas esperanças. Bem-aventurado o "poeta analgésico" Que alivia a dor das feridas dos corações partidos. Bem-aventurado o "poeta naturalista" Que traz aromas, cores, formas e sensações aos nossos dias. Bem-aventurado o "poeta alvorecer" Que nos renova a fé nas coisas e nos homens. Bem-aventurado o "poeta temperança" Que consola as mágoas das almas dos aflitos. Bem-aventurado o "poeta oceano" Que nos convida a mergulhar na vida e nos sonhos. Bem-aventurado o "poeta amor" Que nos dá a certeza que a vida vale a pena. CLAY REGAZZONI (direitos reservados ao autor)

"AUTO-AUTÓPSIA"

Imagem
A dor e a saudade tomam conta de mim. Sinto-me um cadáver transeunte Desde quando vou partiu. Olho pra dentro de mim Procurando resposta para tudo isso Tudo que se passa comigo agora Numa quase auto-autópsia. Examino minha face , Pálida e gélida. Já não mais irradia a alegria da antes, Nem revela anseios ou esperanças. Vejo minha boca inerte Não mais murmura palavras bonitas. Apenas guarda meus íntimos segredos E as declarações de amor que nunca fiz. Meus olhos cerrados perderam o brilho. O rubor de minha retina, Revela a solidão das noites que em vão, Passei acordado a sonhar com você. Minhas veias não têm calor. O sangue que desbrava meu ser Converteu-se num rio de lágrimas polares. Minha mente se desligou do meu corpo. Não há mais pensar, não há mais nada A não ser a lembrança eterna Do teu rosto que em mim está gravada.   O meu coração... Não, isso não é possível! Meu coração ainda quente Continua a pu...